Indústria da cerâmica é tema de encontro
Brasília, 06/11/09
Mais de 60 pessoas participaram do Encontro de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria Cerâmica, realizado na quinta-feira (5), em São Miguel do Guamá, a 144 km de Belém (PA). A proposta do evento, promovido pelo governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), era informar e sensibilizar produtores e empresários do setor oleiro sobre a necessidade de qualificação técnica e profissional.
Durante o encontro, participantes e palestrantes tiveram um diálogo aberto e discutiram ações visando o fortalecimento da cadeia produtiva do setor oleiro, competitividade de mercado, adequação das empresas às normas técnicas e ambientais e a utilização de tecnologia industrial básica.
"A indústria cerâmica do estado é forte, mas precisa se preparar para as futuras demandas. A projeção é que a procura por tijolos e telhas cresça pelo menos cinco vezes mais a partir do próximo ano, por conta dos programas de incentivo à construção civil", calcula Henrique da Cunha, dono de uma fábrica cerâmica que emprega 45 funcionários e produz 700 mil peças de tijolos/mês.
A cerâmica vermelha brasileira é composta por aproximadamente 6 mil empresas no país, que fabricam blocos, tijolos, telhas e tubos cerâmicos. O faturamento anual é de R$ 9 bilhões. O Pará é destaque nesse segmento. O município de São Miguel do Guamá é considerado o principal pólo cerâmico do Norte do Brasil.
Com 40 fábricas, o município é responsável por mais de 3 mil empregos diretos e fabricação mensal de 30 milhões de tijolos e 9 milhões de telhas. A produção é consumida dentro do Pará e uma pequena parte é fornecida para o Maranhão. A indústria da construção civil é a atividade que apresenta maior dinamismo na produção de tijolos e telhas nesse município.
Orientação - O técnico da Sefa, Altino Nascimento, prestou orientação fiscal aos participantes e tirou as dúvidas do empresariado local sobre a nota fiscal eletrônica. Explicou ainda como funciona o diferimento do Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS) nas aquisições internas da argila, matéria prima na fabricação de tijolos e telhas, e a não exigência do ICMS na importação de máquinas e equipamentos sem similar nacional.
Os temas licenciamento ambiental, exploração mineral, medidas de controle e impactos da mineração geraram um grande interesse no público. Quatro técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), tiraram dúvidas e chamaram a atenção sobre a necessidade de exercer a atividade dentro da legalidade, obedecendo as 3 fases do licenciamento ambiental concedidas pelo órgão.
O coordenador técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Senai-Pará, Vicente Honorato Penha, anunciou a inauguração da instituição em São Miguel do Guamá para dezembro próximo. O prédio vai abrigar o primeiro laboratório de ensaio cerâmico da região Norte. "O setor oleiro cerâmico da região vai se dinamizar na medida em que o laboratório vai oferecer suporte técnico, melhorar a qualidade do material e possibilitar o desenvolvimento de novos produtos", enfatizou.
Resultado - O presidente do Sindicato da Indústria Cerâmica de São Miguel do Guamá (Sindcer), Raimundo Gonçalves Barbosa, disse que o evento foi bastante positivo. Salientou que "é um avanço trazer um encontro desse nível para uma região onde o setor oleiro é muito representativo".
Ele aproveitou para apresentar um breve histórico da trajetória da indústria cerâmica do município. "Até os anos 80, a queima da cerâmica nos fornos utilizava lenha nativa, um consumo anual de 800 mil metros cúbicos do produto. Essa prática gerava grandes danos ao meio ambiente. Hoje, substituímos a lenha pelo pó de serragem, caroço de açaí e a casca da castanha-do-pará. Ou seja, produzimos mecanismos de desenvolvimento limpo", comemorou.
O diretor de Desenvolvimento da Sedect, Adejard Cruz, lembrou que o governo estadual instalou em agosto passado o Comitê Gestor do APL (Arranjos Produtivos Locais), no pólo oleiro do município, com a meta de qualificar o segmento e diminuir os entraves da atividade cerâmica de São Miguel do Guamá. Ressaltou ainda que as políticas públicas do estado buscam induzir ações para dinamizar e ampliar a competitividade da economia paraense.
Parceiros - O encontro teve o apoio do Sindicato da Indústria Cerâmica de São Miguel do Guamá (Sindcer) e parcerias da Secretaria de Estado da Fazenda - Sefa, Secretaria de Estado de Meio Ambiente - Sema, Secretaria de Estado de Governo - Segov / Pará Obras, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial- Senai/PA, Associação Nacional da Indústria Cerâmica - Anicer e Federação das Indústrias do Estado do Pará - Fiepa / Programa de Desenvolvimento de Fornecedores.
Fonte: Agência Pará