Entrevista: Raimundo Bezerra Guimarães ‘o Machado’
Brasília, 07/05/2010 - Presente em dois estados brasileiros o APL Pegamatitos PB/RN realiza negociação com multinacional do setor que beneficia a organização e estimula a produção no Seridó nordestino.
Rede APL Mineral: O APL Pegamatitos PB/RN recebeu um apoio significativo recentemente. Você poderia comentar esse aporte?
Machado: O APL tem uma governança/ gestão bastante atuante, englobando parcerias e articulações com diversos atores como: Ministério da Integração, o governo do estado – RN, Fapern, as cooperativas de produção mineral, etc. Estamos em permanente articulação para a o desenvolvimento da produção na região. Recentemente a Unimina (Cooperativa dos Mineradores Potiguares) recebeu como aporte: 3 compressores e 1 automóvel (estilo pick up) para ajudar na produção dos cooperados.
Rede APL Mineral: De que forma estes equipamentos ajudam a Cooperativa?
Machado: Bem, a princípio, para quem não conhece a realidade do sertão do Seridó, pode até parecer uma ajuda mínima. Mas a região é extremamente carente, com índices muito baixos de desenvolvimento. Para se ter uma idéia, a exploração aqui é feita ‘na mão’, na picareta mesmo. Então dá para imaginar o impacto que tem a chegada de máquinas como um compressor numa localidade como essa. Significa a multiplicação de 3, 4 ,5 ,6 vezes a produção de uma bancada. É mais dinheiro no bolso do cooperado no final do mês. O automóvel é uma ajuda incomparável também já que ele ajuda a movimentar as máquinas entre as diferentes bancadas, entre as diferentes áreas que são exploradas pelos cooperados. Assim todos têm a oportunidade de trabalhar e usar do equipamento que é da Unimina.
Rede APL Mineral: Então, a cooperativa age em sistema de rodízio?
Machado: Isso. Todos os cooperados tem acesso às vantagens que a Unimina consegue disponibilizar. Estamos num processo de aproveitamento racional da produção mineral, o que inclui novos métodos de exploração, de vendas, etc. Nesta região se estima que cerca de 5 mil pessoas vivam da mineração de alguma forma. A produção é familiar, consistindo de pequenos núcleos de 3 a 4 pessoas, então essa forma de rodízio é bastante pertinente para o momento.
Rede APL Mineral: Você pode dar um exemplo de inovação que tenha ocorrido recentemente?
Machado: O pegmatito é uma rocha ígnea que tem diversos minerais exploráveis e que permitem um leque de possibilidades de extração e formação de cadeias produtivas, já que os minerais extraídos da rocha pegmatito podem ser utilizadas por indústrias como as de: papel e celulose, borracha, eletro-eletrônicos, isolantes elétricos, cerâmicas, e gemas e jóias. Recentemente o APL fechou negociação com a multinacional Von Roll para a montagem de uma unidade de beneficiamento da ‘Mica’ – um dos minerais encontrados no pegamatito. O acordo prevê a compra por parte da multinacional de toda a produção do APL, que atualmente está em torno de 50 toneladas/mês a preço de R$ 760 por tonelada. Este preço é cerca de 5 vezes o preço que se conseguia no mercado antes do acordo. A unidade tem capacidade inicial de produção de 500 toneladas/mês, então temos muito ainda para expandir.
Rede APL Mineral: Como foi o processo de negociação?
Machado: O APL como todo negociou com a empresa. Nessa hora é importante ter atores fortes na gestão e governança do APL. É muito importante a participação dos setores produtivos, do governo local, e dos parceiros especializados que podem dar a orientação necessária. Sem a ajuda de atores locais importantes como o Sebrae, por exemplo, a negociação não seria possível. Foi um processo que foi sendo construído lentamente durante um razoável tempo. Mas estamos muito felizes com o resultado e esperamos que possa ser o ponto de partida para outras negociações e, consequentemente, novos acordos que ajudem a todos os participantes do APL.
Por Claudio Almeida
Fonte: RedeAPLmineral