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Entrevista: Amado Belmonte Cavalcante

Representante do setor cerâmico no norte goiano, e membro da governança do APL Cerâmica Vermelha do Norte Goiano, Belmonte Cavalcante conversa com a Rede APL mineral sobre as ações realizadas naquele APL e a situação do setor

Entrevista: Amado Belmonte Cavalcante
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19/07/2010 - A RedeAPLmineral conversa com liderança da Asceno (Associação dos Ceramistas do Norte Goiano), Amado Belmonte Cavalcante, sobre os trabalhos com a Cerâmica Vermelha na região.

RedeAPLmineral: O senhor poderia contar um pouco de sua experiência de vida? (vida acadêmica/ profissional?

Amado Belmonte: Bom, em meados de 1982, minha família adquiriu uma indústria cerâmica na cidade de Mara Rosa – GO (noroeste goiano); na época eu estava concluindo o curso de engenharia civil, daí assumi a empresa assim que me formei.
Desde então me enveredei pelo mundo dos negócios principalmente no setor da construção civil, até o ano de 1999, quando estimulamos a criação da ASCENO (Associação dos Ceramistas do Norte de Goiás). Acabei me tornando vice presidência da Asceno e também assumi a direção da minha própria industria cerâmica, em Estrela do Norte, onde estamos, atualmente, dedicando nossos esforços exclusivamente ao setor industrial cerâmico.

RedeAPLmineral: Quais as atividades mais recentes envolvendo a governenança da Asceno junto aos APLs de Cerâmica Vermelha?

Amado Belmonte: No momento podemos dizer que as principais ações são os seguintes:
01: Incentivo aos associados a continuarem com as ações de consultoria para desenvolvimento de novos produtos, principalmente telhas com maior valor agregado.
02: Visita ao pólo cerâmico de Morro da Fumaça, Santa Catarina, com finalidade de conhecer o processo produtivo de telhas coloridas.

03: Alteração do Estatuto Executivo com remuneração de um secretário executivo e criando vice presidência operacional em três áreas:
•        Vice Presidência: Relações Institucionais e Marketing;
•        Vice Presidência: Tecnologia e Produtos;
•        Vice Presidência: Qualidade e Certificação.

RedeAPLmineral: A questão 'energética'  é muito  importante para este segmento e o assunto 'energia sustentável' está em voga no mundo inteiro. Como a Asceno enxerga esta questão? A Asceno promove alguma tipo de pesquisa, ou está articulando ações neste sentido? O segmento pode encontrar alternativas viavéis à queima de 'vegetação nativa'?

Amado Belmonte: A ASCENO é sensível à questão energética, tanto que, uma das primeiras ações desenvolvidas pela governança do APL foi a da realização de um reflorestamento de eucalipto no ano de 2002 de 75 hectares e outro em 2003 com a mesma área e, muitos dos associados vem fazendo investimentos isolados em plantio de arvores. A ASCENO tem conhecimento de que seu objetivo de ser referência de produto cerâmico diferenciado no Centro Oeste brasileiro, passa pela sustentabilidade dos recursos energéticos e que a biomassa é a mais viável. Recentemente tivemos um projeto aprovado pelo MCT, no valor de R$: 250.000,00, com objetivo de desenvolver a melhor opção de cultivo de vegetação no norte de Goiás. Sabemos que a queima de vegetação nativa está praticamente esgotada, não restando outra alternativa a não ser fazer investimento em plantios alternativos.

RedeAPLmineral: Os APLs oleiros de SP optaram pelo uso do Central de Massas. É uma tendência que possa ser copiada por APLs de Cerâmica de outras regiões produtoras?

Amado Belmonte: Quanto as Centrais de Massa ainda temos alguns gargalos a serem superados, tal como a definição da linha de produção (depende do desenvolvimento de novos produtos) e também da definição da escala de produção. Pela característica da distribuição das empresas na área de abrangência do APL, acreditamos que não teremos uma grande Central de Massa e sim várias Centrais menores, distribuídas em microrregiões agrupando menor numero de empresa para cada central.

RedeAPLmineral: A gestão dos resíduos é outra questão muito cara aos produtores. Como está sendo feita a gestão dos resíduos da cerâmica vermelha no âmbito da Asceno?

Amado Belmonte: Os resíduos significativos da Industria Cerâmica são basicamente os cacos e as cinzas. Quanto aos cacos, temos um privilegio em relação outras regiões, pois o índice de quebra é no máximo de 50% da média nacional, devido às características de nossas argilas. Mesmo assim o aproveitamento será possível com a moagem e adicionamento na massa para fabricação de blocos estruturais e pisos extrusados, que é um dos objetivos de produção de nossas indústrias. Quanto às cinzas poderão ser aproveitadas até 0.3% na adição da massa, contribuindo com o aumento da resistência e a diminuição da absorção, no momento temos somente experimentos, indicando a viabilidade de investimento para o aproveitamento.

RedeAPLmineral: A  Asceno tem  resultados interessantes na área de meio ambiente. Vocês poderiam comentar estas ações? Não sua opinião elas podem ser copiadas por produtores de outras regiões?

Amado Belmonte: A experiência mais bem sucedida na área do meio ambiente é o case da Cerâmica Santo Antônio que recuperou suas jazidas exploradas, transformando em tanques para a piscicultura e área de lazer, bem como desenvolvimento de pomares em suas margens. O sucesso da iniciativa é tanto que o projeto foi premiado pelo Prêmio:  CREA em 2008 – Recuperação Modelo de Jazida Explorada para a Pequena Mineração e condecorado pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás com a Menção Honrosa de Boas Práticas Ambientais. Também fomos convidados pelo Governo Federal a apresentar em Curitiba – PR em 2007, bem como no 4º Encontro Encontro da Rede APL de Base Mineral 2008 em Recife – PE, 2009 em Rio de Janeiro – RJ e em Brasília – DF no mesmo ano. Há pouco expomos no Encontro Mineral do Mercoeste no Estado do Rio de Janeiro (26/06/10), na cidade de Santo Antônio de Pádua - RJ. Tenho plena convicção que este é o caminho da Industria Cerâmica.

RedeAPLmineral: A governança da Asceno adota estratégias de gestão voltada para gerar a auto-sustentabilidade do APL?

Amado Belmonte: Todas as ações estratégicas da gestão da ASCENO estão de alguma maneira ligadas à auto-sustentabilidade de nossa industria. Na área de tecnologia e produtos estamos constantemente acompanhando nova técnica de produção visando reduzir custos e aperfeiçoar o processo, através de visitas às feiras e regiões produtivas. Na área de recursos humanos temos empenhado esforços para formar mão de obra capacitada em cursos tecnológicos, ou seja, técnicas cerâmicas. Na área ambiental, temos ações de desenvolvimento da garantia de necessidade energética, com o plantio de florestas e ações de recuperação de jazidas com estimulo de atividade paralelas como piscicultura, fruticultura e lazer.

RedeAPLmineral: A qualidade é ponto importante para qualquer produto. A Asceno tem lidado com este assunto no âmbito do APL? Quais soluções tem sido encontrados pelos produtores?

Amado Belmonte: Entendo que a qualidade é o nosso ponto forte até por características de nossas argilas e também pela relativa distancia do grande mercado consumidor que é o eixo Brasília – Goiânia, que nos obriga a fornecer produtos diferenciados. Temos praticamente 80% das empresas com seus produtos atendendo à Norma ABNT e a primeira cerâmica do Estado de Goiás com Certificação de Produtos com Selo Inmetro (Cerâmica Santo Antônio – Mara Rosa – GO), temos convenio com a Superintendência de Geologia e Mineração no sentido de apoio de técnicos e disponibilidade do laboratório em Goiânia para argila e produto.

RedeAPLmineral: Quais os principais problemas enlencados pela Asceno para o desenvolvimento do APL?

Amado Belmonte: Os principais problemas que encontramos, para imprimir um retorno mais rápido de implantação das ações são: o grau de ‘informalismo’ e a cultura empresarial amadora que muitas vezes demonstram resistência de avanço. Tanto é a resistência que a governança do APL tem defendido incansavelmente junto as empresas que elas possam assumir coletivamente e deliberadamente um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com todas as instituições relacionadas ao setor, tais como: Procon, Inmetro, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Ibama, DNPM, Delegacia Regional do Trabalho, Superintendência de Geologia e Mineração do Estado de Goiás. Isto garantiria uma ferramenta de ajuste das empresas, quanto às exigências legais e basicamente com o direcionamento interno de cada empresa, conforme o estagio de cada uma, no sentido de superação de suas deficiências. Acreditamos que essa seja o único meio que possa nos permitir a competitividade dentro de um prazo conhecido, já que apressamos a identificação das empresas que desejam atingir dentro do objetivo apresentados no projeto APL da Cerâmica Vermelha do Estado.

RedeAPLmineral: Quais as principais demandas de informação que a Asceno acredita ter para seus associados?

Amado Belmonte: Ao meu ver, as informações mais importantes para os associados e agentes do setor são:
•    Como resolver a situação de áreas de argila oneradas no DNPM a favor de grandes mineradoras?;
•    Como melhorar a qualificação de nossa mão de obra através dos I.F.G (Institutos Federais de Educação)?
•    Como melhorar o apoio de laboratório através do I.F.G (Institutos Federais)?.

Os principais problemas que encontramos, para imprimir um retorno mais rápido de implantação das ações são: o grau de ‘informalismo’ e a cultura empresarial amadora que muitas vezes demonstram resistência de avanço. Tanto é a resistência que a governança do APL tem defendido incansavelmente junto as empresas que elas possam assumir coletivamente e deliberadamente um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com todas as instituições relacionadas ao setor, tais como: Procon, Inmetro, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Ibama, DNPM, Delegacia Regional do Trabalho, Superintendência de Geologia e Mineração do Estado de Goiás. Isto garantiria uma ferramenta de ajuste das empresas, quanto às exigências legais e basicamente com o direcionamento interno de cada empresa, conforme o estagio de cada uma, no sentido de superação de suas deficiências. Acreditamos que essa seja o único meio que possa nos permitir a competitividade dentro de um prazo conhecido, já que apressamos a identificação das empresas que desejam atingir dentro do objetivo apresentados no projeto APL da Cerâmica Vermelha do Estado.

RedeAPLmineral: O senhor vai estar presente no VII Seminário e 4° Encontro da RedeAPLmineral em goiania?

Amado Belmonte: Com certeza. Estaremos presentes para apresentar o trabalho que estamos realizando no norte goiano, bem como nos atualizar com as discussões que estão sendo realizados pelos APLs de base mineral de todo país.

por Claudio Almeida,

Fonte: RedeAPLmineral
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