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Polo Gesseiro de Pernambuco passa por adequações

Brasília, 04/09/09

O Serviço Social da Indústria (Sesi-PE) está ajudando as empresas do polo gesseiro do Araripe a se enquadrarem na legislação ambiental. Desde julho, indústrias calcinadoras da região contam com os serviço de análise de amostragem de partículas e medições de gases em chaminés, necessária para obtenção da licença de operação junto à Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH). E a um custo bem abaixo do praticado pelo mercado.

A Resolução nº 382/06 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece os limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos para diversas fontes. No caso do polo gesseiro do Araripe, as empresas costumam usar madeira, coque, óleo BPF e/ou óleo diesel. "Toda empresa que tiver queima de combustível lançado na atmosfera com fonte estacionária (chaminé de caldeira) é obrigada a elaborar um relatório anual com a medição de gases e combustão", explica o engenheiro de segurança do trabalho e especialista em meio ambiente do Sesi-PE, Francisco Sette Moura.

Quando as licenças de operação das calcinadoras começaram a vencer no início do ano, o Sindicato da Indústria do Gesso (Sindusgesso-PE) acionou a CPRH e as empresas em busca de uma solução. O serviço disponível no mercado era muito caro - chegava a custar R$ 5 mil por chaminé, quando a maioria das calcinadoras possui de três a cinco chaminés em cada unidade.

Foi quando surgiu o Sesi-PE com uma solução até 60% mais barata. O serviço sai por cerca de R$ 2.550 por unidade fabril, independentemente do número de chaminés a serem analisadas. Empresas sindicalizadas ainda usufruem de um desconto de 30%. "Desenvolvemos um medidor de gases e combustão mais simples para as vistorias, semelhante a uma sonda, que teve seu desempenho aprovado pela CPRH", conta Francisco. Como contrapartida, a CPRH exigiu que os relatórios fossem quadrimestrais.

Durante as vistorias, o equipamento utilizado pelo Sesi-PE mostra o que a indústria está eliminando na queima do gesso e a ação desses resíduos na natureza. São aferidas as quantidades de gases poluentes e também de partículas. Ao final da análise, a equipe produz um relatório que é enviado à CPRH. Se o órgão constatar que o relatório está em conformidade com a legislação, a licença de operação é emitida ou renovada.

De julho para cá, o Sesi-PE já atendeu a 60 empresas, atingindo em dois meses a meta estabelecida para o semestre. Apenas em quatro delas houve inconsistência nos dados e a CPRH determinou que as medições fossem refeitas. Na região de Araripina funcionam 162 calcinadoras. "Percebemos que os empresários locais estão mais conscientes. Nossa meta agora é conseguir atender às calcinadoras restantes no menor prazo possível", antecipa Francisco.

Uma das empresas que teve o relatório aprovado pela CPRH foi a Gesso Santa Terezinha. No ano passado, a calcinadora chegou a passar 12 dias fechada, além de ter amargado uma multa de R$ 50 mil, depois que o Ibama não aceitou o protocolo de renovação da licença apresentado. "Antes a renovação das licenças era um processo muito lento e na época quasemetade do polo gesseiro foi fechado pelo Ibama. Agora, com o excelente trabalhado desenvolvido pelo Sesi, as liberações têm sido muito rápidas", atesta o proprietário da Gesso Santa Terezinha, Assis Júnior. A calcinadora produz em média mil toneladas de gesso para a construção civil por mês e gera cerca de 40 empregos.

O polo gesseiro do Araripe, no Sertão pernambucano, abrange os municípios de Araripina, Ipubi, Trindade, Bodocó e Ouricuri. São cerca de 400 empresas produzindo 2,8 milhões de toneladas de gesso por ano, ou 95% da produção brasileira.

Fonte: Diário de Pernembuco (com alterações)

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